Entrevista: Dj Ki



Olá Rui!
Antes de mais, parabéns! 15 anos de carreira de scratch e giradisquismo é obra. Para quem ainda não conhece, quem é o Dj Ki?

O Dj Ki (também ainda conhecido por Dr. Ki) é o Rui Sawicki, filho de pai português e mãe polaca. No que toca ao DJing considera-se um scratcher e um “blender” das influências que tem, que vão desde o hip hop, passando pelo funk, breaks, ambient, trip hop até ao drum’n’bass, dubstep e por vezes uk garage.


Estiveste fortemente ligado a 2 das mais importantes crews de drum’n’bass portuguesas: Breakfast e Syndicate. Infelizmente estão ambas extintas. Consegues resumir um pouco a vossa história para quem “só chegou agora”?

É dificil mas vou tentar (risos). A Breakfast foi tipo a minha “escola primária“. Foi onde comecei, onde conheci pessoalmente mais DJs do meio, onde comecei a ganhar contactos, a tocar aqui e ali.

Fui para lá porque na altura conheci o Nokin na ETIC, em 2003. Tínhamos os mesmos gostos pelo scratch e pelo drum’n’bass. Ele na altura já estava bem mais avançado que eu no que toca à mistura e acerto de batidas. Ele foi me dando dicas na mistura mas no scratch éramos ambos uns “newbies”. Passados uns tempos dei-lhe uma cassete (!!) com uma mix minha, gostou e a partir daí começou a convidar-me para pôr música com ele nas noites que tinha no House of Vodka (Bairro Alto).

Entretanto, há uma noite que ele convida o Mee K para tocar connosco, que também gostou e uma coisa levou à outra: fomos todos acabar na Breakfast (projecto dele acabadinho de começar). Tive ótimas experiências ali. Para além dele conheci outros DJs super talentosos como Nery, Subvision, YLS (na altura Sly), Mr Gee, Sensei D, entre outros. Éramos quase todos muito verdinhos e inocentes mas foi giro.

A Syndicate já foi uma necessidade pessoal, não só para começar a tocar em palcos maiores mas também porque queria mudar um pouco a sonoridade das festas e poder tocar os meus discos livremente. Sempre gostei mais da vertente deep / tech do DNB influenciado por nomes como Ed Rush & Optical, Bad Company, Matrix, Fierce, C4C, etc. Na altura (corria o ano de 2008 mais ou menos), começaram a surgir nomes muito bons com essa vertente deep / tech, mas com outra roupagem como Icicle, Sabre, Break, etc. Entretanto o Sleepz, que também fez parte da Breakfast. teve exactamente a mesma ideia. Como nos dávamos por sermos vizinhos aqui em Alvalade, decidimos também convidar o YLS, que também partilhava a mesma linha de ideias. Assim surgiu a Syndicate.

Foram 2 anos muito bons. Aprendi a tocar em palcos maiores como também a parte de organização de eventos. Fazíamos tudo basicamente: desde colar cartazes, ir buscar os artistas ao aeroporto, ficar na porta, levá-los aqui e ali. Conseguimos trazer nomes que nunca cá vieram, e que gostávamos, como Break, Icicle, Survival, D Bridge, SKC, Sabre (muitos ficaram por trazer). Tivemos uma residência no, já fechado, Club Souk (para além do Europa que tinha as suas quintas-feiras, tinha todas as quartas-feiras DNB), chamamos muitos nomes nacionais que não tinham oportunidade de tocar, fizemos um podcast mensal com muitos DJs convidados. Enfim, foi uma grande experiência!

 

 

Mais recentemente fundaste o projecto Scratchers Anónimos, juntamente com o Camboja Selecta, o DJ Apu e DJ Ketzal, que através das vossas Open Jams promovem o turntablism e scratch. Estavas à espera de tanta aderência? Quando são as próximas jams?

Sim, foi quando voltei da Polónia há cerca de 5 anos. Depois do IDA 2012 no Hard Club fiquei cheio de pica para voltar a organizar Open Jams de scratch – quando estava na Breakfast fazíamos isso com frequência e depois a coisa parou. Quando voltei, vi naquele campeonato (IDA 2012) uma série de bons scratchers: DJ Hipe, DJ Profail, X Acto e Núcleo, só para nomear alguns. Uns já eram conhecidos, outros desconhecidos, e pensei que seria giro voltar a fazer Open Jams para fortalecer o espírito de comunidade. A única coisa é que já não seria com a Breakfast, pois passados tantos anos as pessoas seguem o seu caminho, o que é normal, então decidi que se fizesse seria sob outro nome, outro conceito.

Portugal infelizmente deixou de ter competições oficiais, o que sinceramente acho triste. Temos cá bi campeões mundiais (Beatbombers) e como é que não se investe nisso? Não se percebe. Talvez os Scratchers Anónimos ainda se metam nisso (risos).

Chamei o Subvision e foi aí que lhe apresentei a ideia. Ele gostou e a partir daí começámos essa aventura. Basicamente o nome é o trocadilho entre o vício do scratch e a ideia que todos que vão às reuniões são anónimos – o nome fica lá fora. Entretanto o Camboja juntou-se à causa, mais tarde o X Acto também, depois o Apu e por último o Ketzal. Uns saíram e ficamos eu, o Camboja e o Ketzal até aos dia de hoje. Começámos por primeiro voltar a fazer as jams. Não foi fácil porque desde que a Breakfast deixou de fazer (em 2009, acho), eu entretanto em 2010 fui-me embora para a Polónia.

Entre 2009 e quase até 2013 aconteceram algumas jams esporádicas de malta do Porto, mas nada consistente. Confesso que para pegar demorou. Para já o local – não há locais dispostos a receber um bando de malucos para riscar discos durante 4 horas, ainda por cima sem garantir que enchem o espaço e ainda consumirem para que a casa lucre minimamente com isso. Depois não é fácil encontrar uma casa que tenha 3 ou 4 pratos lá, um sistema de som decente, etc. Quando fazia com a Breakfast, as jams eram na antiga Crew Hassan ali nas Portas de Santo Antão. Tinham uma abertura e por isso estávamos à vontade para fazer ali. Quando voltei não havia espaços assim tão abertos a coisas assim.

Entretanto abriu a Sagrada Família e começámos a fazer lá. Passo a passo foi crescendo. Começámos a convidar bandas, DJs para tocar a seguir às jams – levámos lá o Darksunn, os Groove 4 Tet, P.NO (DJ checo), Máfia do Caril, MC Molin, DJ Nokin, YLS, entre outros. Depois criámos um campeonato de scratch que durou 1 ano, com regras próprias, para manter o espírito de competição. Portugal infelizmente deixou de ter competições oficiais, o que sinceramente acho triste. Temos cá bi campeões mundiais (Beatbombers) e como é que não se investe nisso? Não se percebe. Talvez os Scratchers Anónimos ainda se metam nisso (risos).

E pronto, foi crescendo, mudámos de sítio várias vezes, a malta começou a aderir mais, e mais DJs como curiosos que vão ver, tanto tubarões como Nel Assassin, Big, Kwan, Kali como outros que surgiram – DJ Marujo, Tayob, Null e até o mesmo próprio Ketzal, que foi para mim a grande revelação do scratch nacional. Entretanto começámos a fazer workshops para fomentar a nossa vertente social, instruir os mais novos o que é o DJing e o Scratch e, por fim, começámos a tocar também. Como colectivo e separadamente por várias casas da capital. A próxima Open Jam está para breve! Fiquem atentos.

 

A primeira vez que te vimos a tocar foi na antiga Crew Hassan (2009 talvez?) a passar uns vinis de dubstep.. eras praticamente dos únicos a passar este género de som em Lisboa.. o que te atraiu inicialmente e o que te levou a incorporar este género nos teus sets?

Txiiii.. ainda se lembram disso? (risos) Epa.. pois, para além de mim, quem passava dubstep em Lisboa (se não me falha a memória) eram os Conspira – assim assiduamente, éramos nós. Como podem imaginar era de facto um meio bem solitário.. O mais difícil era por as pessoas a dançar aquilo. Nas Dark Swing do Mini Mercado a malta perguntava “e quando é que vem o house?”. Eram tempos difíceis. Mais tarde começaram a aparecer mais DJs, como o Deckjack por exemplo, e o “preconceito” foi desaparecendo, o que foi bom! Deve-se a vocês principalmente. A persistência dá frutos (eheheh).

O que me atraiu no dubstep foi mesmo a sua estranheza! Ainda me lembro da primeira vez que ouvi aquilo. Estávamos em 2006 e fui comprar discos na Redeye Records online e vi uma nova secção chamada “dubstep”. Fui picar uns (eram poucos ainda) e fiquei de boca aberta com aquilo. Era lento, mas não era lento ao mesmo tempo. Tinha graves poderosos mas o beat era tão espaçado que dava para pôr tudo e mais alguma coisa ali. Pensei logo em “scratch!”. E pronto, foi assim. Fui comprando. O meu primeiro disco foi Loefah – Voodoo. Como já passava sons com os mesmos BPMs, como breaks, 2 step, garage achei giro misturar tudo. Evoluí muito no scratch por causa do dubstep. Tal como numa rima, tens que scrachar ao dobro do tempo ou a metade do tempo. Isso desenvolve-te o flow e a técnica!

 

Nem por coincidência, pouco tempo depois apanhamos-te em Setúbal com o mestre Break a fazer scratch! Que festão! Achas que a mesma festa quase 10 anos depois ia “funcionar”?

Que festão! Break, para além de excelente pessoa, revelou-se um grande DJ também. Estávamos com receio que não corresse bem porque, primeiro era a nossa festa e segundo, era em Setúbal. Nada contra a cidade! Tenho grandes amigos dali da zona e arredores e gosto muito de choco frito!  Mas como não é Lisboa, ficámos com algum medo. Para nosso espanto, a festa foi um sucesso. Veio malta em peregrinação de vários pontos do país para ver a estreia de Break em Portugal. Acho que foi uma boa aposta trazê-lo. Se fosse hoje? Acho que seria uma grande festa! Essa vertente já tem mais adeptos que na altura. Break é sempre um bom nome a trazer.

 

Chegaste a ser vice-campeão no DMC PT (team) e IDA PT (scratch) em anos passados. O regresso à “competição” é algo que esteja no teus planos?

É sim e anseio por isso! Adoro o espírito de competição na vertente scratch. Contudo, infelizmente não sei quando isso acontecerá porque já não se fazem campeonatos cá. Desde 2012, o ano em que fui à final com o DJ Nucleo (e que final!!), que tanto IDA como DMC deixaram de acontecer por aqui. Portugal tem grandes scratchers, grandes turntablists. Óbvio que não tem tantos como o UK ou a Alemanha, mas para os poucos que são, são de facto bons. Prova disso são os Beatbombers (como já falei) que são bi campeões do mundo. Acho que Portugal tem muito talento para dar mas infelizmente não tem “campo para jogar” em certas áreas. Mas espero que um dia alguém se chegue à frente para voltar a trazer o IDA ou DMC a Portugal. Se isso acontecer podem contar comigo para participar!

 

Estiveste algum tempo na Polónia, como é a cena BASS de lá? Comparável a Portugal?

Sim. E que tempos! Nunca tinha lá estado a viver na fase adulta. Sempre que ia lá era para passar férias e a minha percepção das coisas sempre foi superficial. Quando fui para lá viver foi quando vi e senti como aquilo vibra. Cracóvia vive BASS! Os clubes são caves cheios de graves e fumo – estava em casa!

DNB e dubstep são os estilos de eleição por lá. Se compararmos, diria que Cracóvia está para o Porto há uns anos. Tinhas regularmente noites semanais de BASS em vários clubes da cidade. À segunda-feira num sítio, à terça-feira noutro, à quarta noutro e por aí a fora. E Cracóvia não é uma cidade grande, é talvez do tamanho de Lisboa ou mais pequena. Tem é muitos estudantes e muitas universidades e isso ajuda a cidade a ter uma vida cultural activa. No verão a coisa acalmava um pouco, mas mesmo assim bombava. Mensalmente haviam festas maiores a acontecer, a cena clubbing lá é forte. Comparando a Portugal, neste caso a Lisboa, diria que em termos musicais, acho que tanto cá como lá existe muita qualidade. Vi DJs lá tão bons como aqui, tanto tecnicamente como em seleção. A única diferença é que lá há mais espaços, há mais público e o meio é mais aberto. Falo do management, promotoras, gerentes, etc.

Cracóvia vive BASS! Os clubes são caves cheios de graves e fumo – estava em casa!

Por exemplo, quando lá cheguei era um desconhecido e foi-me relativamente fácil começar a tocar. Aqui em Portugal só comecei a tocar porque conheci uma pessoa do meio e mesmo assim até tocar em clubs demorou. Eles lá têm noites de open decks nos dias de semana mais fracos. Essas noites servem para Das mais inexperientes terem oportunidade para tocar e assim poderem evoluir. Eu aproveitei uma noite de open decks para conhecer malta, ter contactos e poder tocar. Daí em pouco tempo comecei a ser chamado para festas maiores, ter residências, etc.

Para mim foi muito bom porque também tive a oportunidade de tocar aquilo que gosto mesmo, que é o DNB e dubstep. Cá, infelizmente, nesse aspecto as coisas são diferentes. O meio é mais fechado, é mais difícil tocar, principalmente na cena BASS. Não há tantos clubs que tenham regularmente BASS na agenda. Há muitos DJs também mas, em certa parte, o meio é mais restrito. Talvez por questões culturais sejamos desconfiados quando não conhecemos a pessoa. Aqui é preciso conhecer primeiro. Há um protocolo rigoroso. Daí, desde cedo ter percebido que se quero ser DJ cá, tinha que alargar os meus horizontes então investi logo noutras sonoridades como funk, breaks, hip hop, etc. Isso vai-me dando datas regulares. Se me restringi-se ao BASS tocaria muito menos ou não tocaria de todo.

 

És DJ full time? Os teus colegas de trabalho sabem que passas som ou é identidade secreta?

Não sou. Foi algo que sempre levei como um “side dish”, contudo sempre fui profissional naquilo que faço. Nunca quis viver só de uma coisa. Gosto de ter sempre uma opção quando uma coisa corre mal e, como vocês sabem bem, isto pode correr mal.. É uma área volátil principalmente para nós – DJs que não são agenciados ou que não têm uma “máquina” por trás a trabalhar para ti, em que só tens que te preocupar em treinar e comprar música. Por outro lado, acho que é também uma questão mental. Se um gajo quer mesmo uma coisa, faz. Mas eu nesse aspecto sou cauteloso, prefiro jogar pelo seguro: ter o máximo de datas mas ao mesmo tempo ter um trabalho full time que coincida com esta actividade.

De todos os trabalhos que passei, nuns digo sem problema noutros já guardo segredo. Há pessoas que não levam isso muito bem. Acham logo que somos uns malucos e só queremos noite. Em parte, no meu caso até é, até certo ponto! Contudo, isso não devia ser factor de exclusão. O que importa é como a pessoa trabalha, se é pontual e assídua. Neste momento estou num local onde o pessoal é super receptivo a isso e flexível.

Ainda em relação ao DJ full time, acho que é possível viver do DJing só que lá está, enquanto não houver de facto uma cultura de agenciamento que abranja todos, e os cachets continuarem baixos, é mais difícil.

 

Tocaste no mítico Boom Festival 2008 com Goth Trad, Jazzsteppa, Boxcutter, Octa Push, Mr Gasparov entre outros. Como foi a experiência?

Pois foi! E fui lá parar por acidente. Um gajo faltou (não me lembro do nome) e o Gasparov ligou-me a perguntar se queria ir. Aceitei logo, claro! Foi brutal. Aqueles nomes todos ali naquela pista (Groovy Beach) foi uma experiência incrível. Goth Trad para mim foi o que me marcou mais. Toquei antes dele e toquei só clássicos. Quando o gajo entra mete logo a Babylon Fall, foi a loucura! Som 5 estrelas. Pessoalmente, não gosto de trance e aquele lugar para mim era o paraíso das 17h à meia noite.

 

Certamente já conheces o Discogs.. algum disco raro que andes por lá a namorar?

O Endtroducing do DJ Shadow porque mo roubaram e gostava de o voltar a ter… :/

 

Dado que já passaste por vários estilos, qual deles guardas com mais carinho na memória.. drum’n’bass, breakbeat/breaks ou dubstep?

Bem, eu não acho que tenha passado por vários estilos. Eu passo sim vários estilos, e isso aconteceu desde que comecei a passar música. Tenho carinho por todos mas se me dessem a oportunidade de tocar só um sempre, seria DNB.

Como já falei, toco vários estilos por duas razões: uma é porque gosto de várias coisas, e outra (talvez a mais relevante) é porque isso abre-me mais portas para tocar. Tocar apenas uma coisa, principalmente DNB, é muito difícil – pelo menos para mim. Sou apenas DJ, independentemente do estilo que passe, e o DJ passa música acima de tudo. Ainda cheguei a apanhar o tempo em que era normal um DJ tocar vários estilos de forma a chegar a mais pessoas ou porque as casas onde tocavam tinham diferentes gostos. Eu acredito que é possível combinar tudo num só. Só traz vantagens a meu ver: mostras que te podes encaixar em eventos vários, tens mais datas, tecnicamente é uma mais valia porque te ensina como tocar diferentes estilos (cada estilo tem a sua forma e técnica única de mistura), podes tu sozinho fazer uma noite num club, ensina-te a fazer uma casa, a levar o público, etc. Há quem ache que tocar vários estilos pode mostrar alguma confusão ou demonstrar estar perdido e isso poderá levar a não conseguir fazer uma só coisa muito bem. Acredito que nalguns casos isso aconteça mas no meu caso, e de muitos outros, acho que só trouxe vantagens.

 

Qual foi para ti o pior e o melhor gig / dj set?

Pergunta muito difícil! (risos) De maneira geral, já tive de tudo. Bons, maus e assim assim.

Já tive péssimos gigs em grandes festas para muito público. Quase sempre por questões técnicas, porque com o passar dos anos os palcos têm vindo a ser feitos cada vez mais para o digital e menos para o vinil, infelizmente (daí ter passado a tocar em formato digital). Como também já tive gigs muito bons em casas pequeníssimas onde o ambiente é intimista e mais acolhedor. Já tive gigs maus em casas pequenas e bons em festas grandes também. Os assim assim acontecem em qualquer lugar. Há dias que não há vontade, não há pica. Acontece a qualquer um.

Para te enunciar um mau e um bom tive que ir aqui à memória RAM. Mau foi um dos meus primeiros gigs. Foi em Sesimbra, num Club que se chamava Gota d’Àgua. A data foi marcada comigo e com o Sly com grande antecedência, e foi num feriado (10 de Junho). Na altura vivia em Azeitão e fui sair com malta no dia antes. Fomos a esse spot para ver a casa e ver o ambiente. Estava à pinha! Pensei logo: “epa, isto amanhã é que vai ser!” Errado! (risos) No dia seguinte, das 00h às 6h, entraram 3 pessoas e estavam na minha guestlist! E o mais irónico nisto tudo é que a casa não tinha àgua..! Esse acho que foi o pior pela caricatura da coisa.

Outro mau foi na Foz do Arelho. Também com o Sly, sendo os restantes o Sleepz e o Nuno Forte. Casa vazia a noite toda e a cabine parecia o Sputnik (risos).

O melhor, tal como pior, é dificil dizer. Felizmente foram muitos também. Acho que foi em Cracóvia, na festa de aniversário da rádio local – Radiofonia – onde também era DJ residente às sextas (“sextas drumáticas”). Toquei a seguir a King Cannibal e Eskmo e foi de tal forma intenso que a malta não arredou pé. Eu pensei logo “isto depois dos headliners o pessoal vai bazar todo..” Errado, outra vez, e ainda bem!

Outra que me recordo, também em Cracóvia, numa quarta-feira, foi num club onde eu era residente às quintas e chamaram-me porque um DJ faltou. Foi do inicio ao fim sempre em party mode. Toquei os discos todos!

Cá também tive grandes gigs. Break foi um deles, mas um que me fica na memória foi numa festa vossa (MaisBaixo), no piso de cima do Faktory, para o festival Outlook. Grande festa! Acho que as melhores são aquelas que menos esperas basicamente. Quando elevas as expectativas têm tendência para correr mal ou mais ou menos. Comigo é assim, daí que com o tempo tenha aprendido a nunca esperar nada.

 

De certeza que já tiveste os clássicos “requests” enquanto estavas a tocar. Algum que te tenha ficado na memória?

Epa.. tantas vezes! De tudo! Infelizmente, a maior parte deles ou não tenho ou não gosto (risos). Em festas de drum’n’bass ou dubstep nunca me aconteceu virem pedir directamente. Mostram o telemóvel e tal, mas na adrenalina do set não presto muita atenção e estar em palco com alguma distância não permite focar-me no pedido da pessoa. Mas em clubs pequenos ou bares a tocar outras coisas, os pedidos são uma constante. Sinceramente não gosto muito porque me distraí, mas tive que me habituar e aprender a lidar com isso da forma mais correcta possível.

Vou dizer 2 que me ficaram na memória. Um por más razões outro por boas razões, para ser justo! Um mau pedido foi “Faithless – Insomnia” no Europa (K Session). Um bom: “Jurassic 5” na Pensão Amor.

 

Que artistas ou editoras te têm surpreendido e inspirado?

Ando a seguir muito a Exit Records, a Shogun, a Critical e todos os artistas nessas mesmas editoras. Há uns tempos conheci o trabalho de  DJ Rashad, J Cole e DJ Spinn. Num já foi tarde, infelizmente…

 

Imaginando alguém que não perceba o conceito de Bass Music, quais as 3 músicas que escolherias para a “converter”?

Eu próprio também não o entendo (risos). Confesso que é um nome que me faz alguma confusão. É que quase tudo tem bass. Se pusermos as coisas assim, então tudo pode ser Bass Music. Techno tem bass, trance tem bass… Eu percebo que essa denominação seja para referir estilos UK Bass como dubstep, 2 step, uk garage, DNB, jungle, etc. Mas como já havia o nome “UK Bass”, não consigo perceber o porquê de começarem a chamar só de “Bass Music”.

Mas respondendo à questão fulcral, as músicas que escolheria (e na verdade escolhi, pois consegui converter muitos) seriam: General Levy – Jungle is Massive, DJ Marky & XRS ft Stamina MC – LK (It Is The Way) e Calibre & Mc Fats – Drop It Down. Para quem não conhece DNB, estas faixas são as mais fáceis de digerir e ouvir. São mais “comerciais” e já as ouviram nalgum lado. Basicamente é o que um DJ deve fazer para agarrar o público. Dar uns hits para depois envolvê-los mais no estilo.

 

O que podemos esperar de Dj Ki até ao final do ano / 2018?

Este ano está a correr-me bastante bem no que toca a datas. Costumo dizer que os anos que me correm bem são os anos “ímpares” (risos). Quando vim da Polónia andei aí um par de anos a tocar pouco. Questões pessoais, por também  estar muito focado em SA, mas também por outras questões que me ultrapassaram e ultrapassam.

O que podemos esperar de Dj Ki é estar a tocar todos os meses em 4 casas de Lisboa. Uma quinta por mês na Pensão Amor, uma quinta por mês no Tokyo a abrir para Dynamite, um sábado por mês no Rio Maravilha (LX Faktory) e um domingo à tarde no Topo, Martim Moniz. Música variada desde funk, disco, hip hop, breaks, ambient, trip hop, dubstep ou liquid DNB, depende do meu mood e o da casa. São casas difíceis e públicos às vezes complicados mas bem contextualizado, vai tudo! Esporadicamente poderei passar pelo Ferroviário, Copenhaga, Europa ou 36 – são outras casas onde passo de vez em quando.

Podem também esperar um set por mês de vários géneros daqui em diante que partilharei online. Porém, ouvi dizer que 2018 vai ser interessante, fora superstições!



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Soon..