Entrevista: Skalator

Olá Gil! Para quem ainda não conhece, quem é o Skalator?

Skalator é um moço de humildes raízes lisboetas onde cresci sem prestar muita especial atenção à musica que me rodeava, sem grande interesse por qualquer género musical em particular. Infelizmente, penso que cheguei atrasado à estação e perdi o comboio dos pioneiros…penso hoje o quão bom teria sido se tivesse descoberto o jungle logo no inicio e ter seguido o trabalho desenvolvido pela Cooltrain Crew na capital, seja no Captain Kirk, no Cyclone ou até mesmo no Lux. Digamos que entrei no comboio seguinte, o dos semi-pioneiros, onde seguia o trabalho das referências e tentava dar também os primeiros passos na cena como DJ. Esse momento chegou em 2001 quando ouvi um set de Randall e desde aí não mais parei…digamos que fiz o tradicional percurso de raver, de norte a sul do pais, sempre à procura da vanguarda sonora que chegava até cá naquela altura, sempre com o local support das crews…Cooltrain Crew, Garagem, Kalimodjo, Journeys, Jungle Bells..

Tento hoje em dia por em prática estes valores que me foram transmitidos pelos verdadeiros mentores da bass music e partilhá-los com as gerações mais novas.

 

Para além de dj e produtor ainda geres a editora Skalator Music que já conta com 4 releases, sendo a última um fantástico EP dos Neurotoxin. O que te fez começar este projecto?

A aventura da editora começa em Julho 2014 pelo simples facto de que senti ser necessário criar uma plataforma de promoção e divulgação das minhas produções e de outros artistas com os quais me identifico. Com a era digital, tudo se tornou demasiado vulgar e repentino, o mercado é grande e tem muita qualidade o que torna difícil notoriedade em curto prazo. A ideia passa por lançar releases de qualidade, com artistas nacionais e internacionais em formato digital e se possível com edição limitada em vinil.

 

O teu EP ‘Jungle Train / Gadget Heads’ teve a honra de uma edição em vinil. O que te motivou a “arriscar” neste formato?

A edição do single “Jungle Train / Gadget Heads” em vinil foi uma loucura saudável pois foi necessário um considerável esforço financeiro inicial sem qualquer garantia de retorno, por isso as expectativas não eram muito altas, no entanto, passado quase 1 ano do lançamento do disco, consegui recuperar grande parte do investimento embora ainda hajam discos para vender 😉

Acima de tudo, arrisquei tendo em conta que criei um produto limitado para pessoas que ainda compram vinil, num mercado onde se vendem cada vez CDs e onde o mp3 é standard.

01 – Skalator – Jungle Train

 

Consegues nos dizer o que é necessário para fazer uma edição deste género? Onde prensaste? Como fizeste a distribuição?

No caso da Skalator Music, a edição do disco foi um processo demorado e o culminar de um sonho, a primeira edição em vinil! Basicamente consiste em misturar e masterizar as faixas, enviar para a fábrica para a produção do master plate e test pressings, ouvir e confirmar se está tudo ok para avançar para a produção das cópias, tratar do artwork, dos contratos, da promoção e marketing, da distribuição feita pela editora e…guito! sem guito, não há disco!

 

Viveste alguns anos em Londres.. O que sentes mais saudades (bass-wise) ? É mesmo a capital do bass?

É verdade, vivi 5 anos em terras de Sua Majestade sempre com o capacete cinzento…tenho saudades do Fabric, do FWD, do The End, do Notting Hill Carnival e seus soundsystems e “jerk chicken”…..e de picar discos no Soho! Mas tá tudo mudado ou a mudar…o Soho já não é a meca dos discos e o Fabric está sem licença…

 

Em 2015 começaste as Subsonic Sessions em Lisboa por onde passaram muitos dos nossos DJs favoritos. O que te fez começar também a fazer eventos?

As “Subsonic Sessions” são o lado live da Skalator Music e pensamos em organizar um evento mensal com o intuito de juntar a velha escola e a nova escola da bass music em Lisboa e em Portugal.

 

O que podemos esperar da Skalator Music até ao final do ano / 2017 ?

Até ao fim deste ano, vamos editar o quinto release SKLTR005 – Bridge EP: Various Artists e estamos prestes a começar um programa de rádio dedicado à bass music, também mensal.

 

 

Qual foi para ti o teu pior / melhor gig – dj set ?

Melhor set que já fiz: Warm-up para Marky @ Faktory Club, Lisboa 2014

Pior set que já fiz: alguns menos bons mas não me lembro de nenhum que tenha dado barraca da grossa.

 

De certeza que já tiveste os clássicos “requests” enquanto estavas a tocar. Algum que te tenha ficado na memória?

Nasty Habits (Doc Scott) – Shadow Boxing

 

Sabemos que és um coleccionador de Vinil. Qual é o teu disco favorito? e o mais valioso?

Disco favorito? Odyssey – Expressions / Ritual

Disco mais valioso: Aries, Bevan, Gold, Andy Sim and Tuffist – Sun is Shining / Jah Army

 

Que artistas / editoras te têm surpreendido / inspirado ?

As editoras que mais me têm surpreendido são a Rupture, a Repertoire e a Next Phase Records.

 

Imaginando alguém que não perceba o conceito de bass music, quais as 3 músicas que escolherias para a “converter”?

Count Basic – Speechless (K&D dnb version)

JMJ & Richie – Free La Funk – Moving Shadow

Goldie – Inner City Life – Metalheadz


Para o mix exclusivo, Skalator traz-nos 1hora de puro D&B. Podem ouvir no mixcloud ou fazer download através do iTunes

 

 

Tracklist

01 – HOBZEE & ZYON BASE – KNIFE IN THE WATER
02 – NU:TONE & LOGISTICS – TRADEMARK
03 – PHIL TANGENT – SQUARING THE CIRCLE
04 – SPECTRASOUL – THE TUBE
05 – ALIX PEREZ – STRAY
06 – CALIBRE & MARCUS INTALEX FEAT. FOX – RUN AWAY
07 – ALIX PEREZ – THE RESOLUTION
08 – LOMAX – TANGO TRASH
09 – SPECTRASOUL – MIMIC
10 – GERRA & STONE – LONG GAME
11 – SPECTRASOUL FEAT. BEN-E – SUPPRESSION
12 – GERRA & STONE – TOO DEEP
13 – CHROMA – 201 DUB
14 – SURVIVAL – GRAVITY BORNE
15 – ZYON BASE – THE WIRE
16 – MARCUS INTALEX – CABIN FEVER
17 – SPECTRASOUL – GUARDIAN (KNOW YOU WANT ME)
18 – TECHNICAL ITCH – THE VIRUS
19 – DOM & ROLAND – THE STORM