Entrevista: Carie



Olá Erica! Antes de mais… Bem vinda a Lisboa! Já estás cá há mais de 6 meses, certo? O que estás a achar da tua nova cidade?

Olááá 🙂 Muito obrigada ! Na verdade, já faz 8 meses que estou aqui.. Sou uma pessoa que viaja muito, e não estou à procura de nada realmente.. só curtir. Se calhar foi o meu amor pelo idioma português que me chamou para vir para Lisboa.. certamente isso.

Para quem ainda não conhece o teu trabalho, como descrevias o projecto DJ Carie? Na altura que nos conhecemos usaste o termo ‘Digger’…

Dj Carie é viajar, comunicar… alegria com musica ecléctica. Eu estou sempre à procura de músicas de diferentes estilos, o objectivo é de tocar tudo que eu gosto…. e viajar! Eu tenho orgulho de não estar bloqueada a um só estilo. Às vezes pode ser um desvantagem, mas acho o meu caminho realmente como uma pesquisa musical quase universitária !

Sabemos que és fã de tocar ‘all-night-sets’. Só o problema de ir ao WC deixa-me logo um pouco nervoso..(risos) Porque gostas tanto deste formato?

Ahahha ! O momento de ir fazer um xixi, tocas uma musica de 10 minutos e dizes às mulheres na casa de banho que tu estás a tocar e que elas têm de te deixar passar antes (às vezes não funciona ! )
Eu adoro tocar all night long porque assim eu posso ser “a Comandante” e criar uma viagens únicas….. Um amigo dj de Lisboa disse-me que meus sets são from groovy to dirty… acho boa esta definição. Mas também poderia ser : from London to Rio, from beats to Dreams, from dancing to jumping….

Já tocaste um pouco por todo o mundo.. Qual foi o melhor dj set que fizeste? E o pior? E o maior?

Não posso dizer que tenho um melhor… eu tenho lembranças muito boas de varias experiências : tocar num sitio antigo na ilha de Guadalupe, tocar à 100 metros da cidade antiga de Jerusalém, tocar em frente de 10 000 pessoas num parque em Lyon, tocar no Lounge Lisboa e mandar tudo…. Sempre que eu toco, acho uma experiência mágica.
Tenho só uma má lembrança da noite que toquei em Tel Aviv.. a minha placa de som do Traktor deu um bug qualquer … só toquei 30 minutes… que horror!!!

Para além do DJing tambem tens algumas produções em nome próprio.. Para quando um EP ou até mesmo album ?

Eu queria ter o tempo para fazer isso mas não consigo fazer tudo no mesmo tempo: trabalhar, tocar, viajar… Continuo a produzir.. mas demoro!

Os teus colegas de trabalho sabem que és DJ ou é identidade secreta? Como lidas normalmente com essa situação?

Os meus colegas sabem que eu sou uma DJ. Faz parte da minha personalidade.. Acho que tudo é de adaptação e dar muito amor para pessoas. Na vida eu sou professora, eu dou muito de energia positiva e acho que faço isso também como Dj… Tudo é uma maneira de dar boa energia, implicar -se e mostrar que é possível ser uma boa dj e boa professora. Tem limites à não ultrapassar, não dizer tudo, guardar um pouquinho de implícito.

De certeza que já tiveste os clássicos “requests” enquanto estavas a tocar. Algum que te tenha ficado na memória?

Sim, claro. A melhor lembrança foi na La Maison Mére em Lyon, eu estava pronta para lançar um som de Omar Souleyman quando um rapaz muito bonitinho me pediu exactamente isso. É ótimo quando o publico percebe o viagem e tem as mesmas influências!

És também embaixadora do website ‘Wicked Girls’.. O que consiste esse projecto ?

Wicked girls é uma associaçao não lucrativa para criar um rede mundial de mulheres como eu: DJs, MCs, Produtoras underground…. O objectivo é mostrar que existimos e entreajudar-nos!
Neste momentos temos o blog com vários artigos e organizamos festas…. Em setembro vamos começar uma residência em Lyon que em cada 2 meses vamos tentar trazer mulheres DJs de Lyon e de toda a França.
Pouco a pouco o projecto cresce, agora Astrid de São Paulo, Brazil começou a escrever no site por exemplo…

Que artistas / editoras te têm surpreendido / inspirado ?

Muitos!!! Mas vou dar alguns artistas.. Mike Patton, Screaming Headless Torsos, Nisenenmondai, Amon Tobin, Lee Scratch Perry, Herbie Hancock, Niagara, A Tribe Called quest, Acid arab, Aesop rock, Mos Def, Jorge Ben, Robson Jorge e Olivetti, Azymuth, Gal Costa, Poirier, Dj Rashad, Lady Leshurr, Dj Hype, Goldie, Calibre, Erykah Badu, Le Peuple de L’herbe, Batida, Branko, Klipar, Mr Gasparov….

Imaginando alguém que não perceba o conceito de bass music, quais as 3 músicas que escolherias para a “converter”?

Sambassim – DJ Patife Remix

Dj Rashad – Freakin me on the flo

Swindle – Summer fruit

 

 



Exclusive Mix




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Tracklist:
Gabriel Garzon-montano - Pour Maman (Archie Pelago remix)
Swindle - Summer Fruits
Mr Scruff - Feel Free
Forss - Flickermood
Reso -Liquid Jazz
Elefant Doc - Neo Dub
Neurotoxin - Dune
Floating Points - Sais (dub)
Jamie Xx - Gosh
Drew's Theory - Ocho Rios (B9 Remix)
Taiko & Le Lion - De Maya
Mura Masa - Lotus Eater
Mura Masa - The Way I Want You
Folding City - Spacewalk (Doctor Jeep Remix)
Exeter & Naphta - Junk
Nikitch - Dont know why
Traxman - Footworkin on Air
Dj Rashad - Feelin (ft Spinn & Taso)
DJ Spinn - 2020
Machinedrum - Gunshotta (Fracture Astrophonica Remix)