Entrevista: Buster



Nuno Nunes, aka DJ Buster, começou a passar Jungle & Dnb em 1999 depois de se ter mudado para Londres. Passado pouco tempo começou a tocar no circuito ‘Free Party’ com o Pitchless Sound-System e em vários clubs londrinos.

Em 2005 começou o seu programa de rádioBasspaths na Wireless FM dedicado a todo o género de música Bass (Dub, Drum’n’bass, Jungle, Dubstep, etc) que o levou a tocar em vários países como a Holanda, Bélgica, Itália, Polónia.. etc. 10 anos depois o programa continua a passar todos os domingos à meia noite na Reprezent FM (107.3FM).

Depois de várias residências em noites como a ‘Dandruff Breaks’, ’Dub It Up’,’Air’ e ’Dub Corner’ começou em 2012 sua atual residência, “48.1Hz“, em Brixton, juntamente com Stereopathy (Rui Carvalho) onde o lema “Dub Rhythms & Bass..” é regra para toda a noite.

 

Fazes parte do mítico colectivo Badmood juntamente com a Rita Maia, Nsekt e o 1Way (corrige-me se estiver enganado). Consegues resumir um pouco a  vossa história para quem “só chegou agora” ?

A Badmood começou em 2001 com uma noite de Drum/’n’Bass  no Blue Bar,em Cascais onde eu e o NSekt tocamos.

 

De 2002 até 2006, já com a Rita Maia, Plankton e Spam, a Badmood começou a organizar varias noites de Drum’n’Bass por Lisboa, com DJs internacionais e ao mesmo tempo participava com elementos de outros coletivos em eventos do mesmo género por Portugal.

 

Em 2004 a Badmood foi convidada para fazer parte do line up do Festival Sun&Bass em Itália, que contava com artistas de 11 países diferentes e com alguns top acts do circuito de DnB britânico.

 

Em 2010 devido a existência de outros promotores de eventos de Bass Music em Lisboa com bastante sucesso, decidimos dedicarmo-nos mais ao lançamento de música através da nossa editora BadMood Recordings que começamos nesse mesmo ano. Foi aí que juntamos ao nosso rooster o 1Way e o Modo-Fractal.

 

Mas ao mesmo tempo sempre fomos criando eventos por Lisboa e Londres, tal como foram as várias Ovni Sessions, a celebração de 10 anos de Badmood no Europa juntamente com a Kalimodjo, as sessões 48.1Hz (em Brixton), em 2014 trouxemos o Om Unit a Lisboa e somos também curadores do palco Bass Station no Festival Musa já há 4 anos.

 

E os 15 anos de Badmood estão quase a acontecer, por isso aguardem notícias.

 

A vossa última release na Badmood Recordings foi em 2013 com ‘VA – Sine Of Times’ da Rita Maia. Porque parou entretanto?

A nossa última release não foi a da Rita Maia, mas sim a do produtor Croata ‘207’ em 2014 com as faixas “Absence/In Time”.

 

Foram vários os motivos que nos fizeram por a BadMood Recordings em estado ‘adormecido’, mas não está totalmente parada pois ainda temos vários projetos em mente.

 

Mas devido a razoes pessoais e também porque alguns de nos estamos a dedicar mais tempo aos nossos projetos individuais decidimos por a BM Recordings em ‘standby’.

 

Há 3 anos que tens uma noite mensal, 48.1Hz, em Brixton, juntamente com o Stereopathy. Qual é o vosso balanço e o que vos motiva a continuar?

Posso dizer que o balanco ao fim de 3 anos é extremamente positivo e penso que o Stereopathy tem a mesma opinião que eu.

 

Nós começamos o 48.1hz como uma plataforma para  tocarmos ao vivo,os diferentes géneros dentro do spectrum da Bass music que tanto eu como ele gostamos. Se bem que demos sempre mais prioridade ao Dub, Dubstep e Jungle.

 

O feedback que temos tido tem sido bastante bom, tanto por parte de quem vai ao evento, como dos guest Dj’s que temos convidado para tocar connosco.

 

Mais do que tudo é receber esse feedback e constatar que temos cada vez mais pessoas a vir à nossa noite, o que nos motiva a continuar

 

Cada vez ouvimos falar de mais venues a fechar e que está cada vez mais dificil fazer festas em Londres. Tens sentido esse problema?

Lamentavelmente, Londres está a passar por um período de grande transformação que afeta diretamente várias clubes e bares de música ao vivo pela cidade.

 

Está cada vez mais difícil de encontrar venues onde se possam realizar eventos de Bass music que não sejam ‘mainstream’. Também existe um controle cada vez maior do volume de som, e isso sim, tenho sentido pessoalmente. Tanto no club onde fazemos o 48.1Hz como em outros sítios onde tenho tocado.

 

Sabemos que não és DJ a full time.. os teus colegas de trabalho sabem que passas som ou é identidade secreta? como lidas normalmente com essa situação?

Ah!ah!ah! Boa pergunta.

 

Felizmente posso dizer que a relação que tenho com os meus colegas de trabalho permite-me dizer-lhes o que faco em relação a ser DJ.

 

Já foram várias vezes que me viram tocar e dão me apoio total em relação a isso.

 

O pior mesmo não é lidar com essa situação mas sim conciliar as horas de trabalho com as horas quando toco

 

O que te atraiu inicialmente no dubstep e o que te levou a incorporar este genero nos teus sets?

A primeira vez que ouvi Dubstep foi por volta de 2004 atravez de uma amiga minha que estava a tocar Dubstep nessa altura.Mas so realmente comecei a interessar-me mais pelo genero quando comecei a decobrir a vertente mais Dub e Deep do som.

 

Sempre fui um apaixonado por Reggae e Dub e no Drum’n’Bass sempre foi o lado mais Dark e Deep que toquei. Entao quando comecei a ouvir mais Dubstep que englobava esses estilos foi o que me fez comecar a incorporar Dubstep nos meus sets.

 

Tambem talvez devido a transformacao que o D’n’B e os Breaks tiveram nesse periodo,do qual eu nao gostei, comecei-me a interessar mais pelo Dubstep

 

Dado que já passaste por vários estilos, qual deles guardas com mais carinho na memória…. Drum and bass, Breakbeat/nuskool Breaks ou Dubstep? Porquê?

Diria que eu não fui passando por vários estilos mas sim fui incorporando vários estilos nos meus sets e digo isto porque hoje em dia toco de tudo um pouco, seja Jungle, Drum’n’Bass, Breaks ou Dubstep..

 

Talvez seja o Dubstep o estilo que maioritariamente faz parte dos meus sets no momento, mas isso e resultado do que faco com o meu programa Basspaths e do circuito onde estou mais envolvido no momento.

 

Mas não seria supressa nenhuma verem-me fazer um set de Jungle ou D’n’B num dos eventos onde toco. Talvez Breaks seja o estilo que menos toco hoje em dia devido a direção em que esse som tomou, a qual não me sinto próximo de maneira nenhuma.

 

Em relação a memórias, acho que cada um tem a sua própria gaveta, na qual guardo as melhores.

 

A primeira vez que te vimos a atuar em Lisboa foi na mítica festa em 2009 no Armazém F juntamente com o 1Way, Octa Push, Deckjack… que até acabou mais cedo enquanto estavam a tocar.. Tanto tempo depois, o que realmente se que passou?

Uma palavra: ASAE

 

Buster + 1Way @ Armazem F, 24-01-09

 

Voltar para Portugal, está nos teus planos?

Talvez um dia, quando estiver preparado para ir viver no meio do campo e decidir fazer uma horta de vegetais orgânicos.

 

Budget ilimitado.. qual era o teu estúdio ideal?

Hmmmm… mais que tudo, o ideal seria mesmo ter um espaço onde pudesse usar o material todo que já tenho mas sem restrições de volume de som ou de horas.

 

Pior gig que já tiveste? E o melhor?

Pior…o 1º de 2 gigs na Polonia onde ia tocar D’n’B em último depois de 3 Dj’s locais estarem a tocar House. Digamos que o público não estava minimamente preparado para ouvir sons de Bad Company, Ed Rush e afins

 

Melhor….São vários os que guardo memorias como muito bons gigs. Talvez quando toquei no Festival ‘Exodus’ aqui em Londres seja um e o outro o gig de 10 anos da Badmood com os meus companheiros de viagem; NSekt, Rita E Spam.

 

Esse sem dúvida tem um carinho especial.

 

De certeza que já tiveste os clássicos “discos pedidos” enquanto estavas a tocar. Algum que te tenha ficado na memória?

“Welcome to the Jungle’ pelos Guns’n’Roses ao qual respondi por tocar o ‘Raining Blood’ dos Concord Dawn

 

Sabemos que também tens o bixinho do vinil. Qual foi o máximo (€) que já deste por um vinil? Qual?

40 pounds pelo 12” do Forsakken ‘Thunder/Sitar Dub’ na Immerse

 

Se tivesses de escolher, preferias ter a colecção inteira da Metalheadz ou da DMZ?

Difícil responder a esta pergunta porque realmente são duas editoras do qual gosto muito da música que editam.

 

Mas apesar de tudo, não as podemos bem comparar, porque a Metalheadz ja tem um historial de 20 anos de releases e a DMZ conta só com 10 no momento.

 

Por isso acho que o que preferia mesmo era tentar completar as duas.

 

Que artistas / editoras te têm surpreendido / inspirado ?

Acho que a tracklist do meu mix e uma boa resposta a esta pergunta.

 

Imaginando alguém que nunca tenha ouvido dubstep, quais as 3 músicas que escolherias para a “converter”?

Skream – Midnight Request Line
Mala – Changes
Vex‘D – 3rd Choice (Loefah Rmx)



Exclusive Mix




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Tracklist:
E3 - To the End [BoomArm Nation 7"]
Bukkha - Peacemaker [Dub]
Wulf - Community Dub [Lion Charge Records 12"]
Otz - Warrior Dub [Dub]
Bentronix - Counter [Dub]
Jackson - Glock Master [Dubtribu Records]
Split - Rockaz [Phantom Hertz Recordings]
KurtRocSkee - ??? [Dub]
INTROSPEKT - Jungle Stomp [Dubtribu Records]
Jeph1 - Salvation [Dub]
Stereopathy - Scarred for a while [Forthcoming 19th Studio Records]
Nema & NevroSee - Rhea [Dub]
Isolate - Hyperion [FKOF]
Capcha & A-Grade - Wiley Dub [Dub]
Krease - Artillery [Dub]
Reamz - The Cosmos [Dub]
Lowryder - Thar [Dub]
Copley - Vacuum[Dubtribu Records]
Error - Musy for the People [Dub]
ALIVE - Dark Temple[Dub]
Extorted Minds - Control Me Ft. Master Procrastinator [Forthcoming Instigate Recordings]
SIRIUS - ??? [DUB]
Darj- Samba Brush [3Am Recordings]
SPACEDROME - 3AM [3Am Recordings]
Ill Chill - Golden(prod by Drew's Theory)[Forthcoming MindStep Music]