Entrevista: Nuno Forte



Nuno Forte é um dos principais intervenientes da cena Bass em Portugal. Ao longo da ultima decada e meia liderou as pistas de dança mais undergrounds, ganhando 10 prémios de melhor DJ Nacional de Drum’n’Bass (incluindo 4 DanceClub Awards). Mais recentemente tem se dedicado também ao Dubstep, tocando ao lado de grandes nomes como Mala, Skream ou Emalkay. Este verão vai estar presente no Sudoeste TMN 2012 (5 de Agosto), juntamente com Andy C e Borgore, e no NEOPOP (8 de Agosto), com Alix Perez e Flux Pavilion!

O que te atraiu inicialmente no dubstep e o que te levou a incorporar este genero nos teus sets?

 O que me atraiu inicialmente já começa a ser raro no “dubstep” de hoje em dia. Quando encontrei este genero, o DnB estava a passar por uma fase complicada. Musicalmente falando, as musicas eram demasiado “nerds” (muito tecnológicas mas com pouco groove), uma amalgama de sons sem espaço para o grave e o subgrave “respirarem”. Em contrapartida, o Dubstep vivia desse espaço, onde finalmente podia sentir novamente os graves a soar como deve de ser.

Em 2007 tocaste com o Caspa no Porto. Desde esse tempo, como tens sentido a evolução a nivel de aderencia do publico às festas que por cá se fazem?

Gigantesca. Usando como exemplo a noite com o Caspa, nessa altura estivemos lá mais ou menos 50 pessoas.. hoje em dia tens noites de club à pinha e, como se vê, há artistas deste genero em praticamente todos os festivais..

Exacto, parece que o dubstep tem encontrado vários caminhos para o sucesso: seja com grandes live acts (de nomes como Magnetic Man, Skrillex ou Rusko) nos principais festivais ou infectando as pistas de dança de todos os clubs, tanto nas incursões aos 130bpms, como na sua essência mais roots e dark, e até na vertente mais electro. No meio de tudo isto, temos curiosidade em saber onde te situas e como vês o estado actual da cena?

Eu situo-me sempre naquilo que sinto e, como referi antes, eu sinto as linhas de baixo densas – quanto mais, melhor! Chamem-lhe roots ou dark, eu chamo Dubstep. Este novo caminho ou estética, para mim, nem é Dubstep – é um electro com uma base ritmica quebrada mas que continua a viver das frequências médias gritadas em sintetizadores clonados. Pessoalmente, acho que a cena está viva e recomenda-se! Há muita música boa para todos os gostos, só têm de encontra-la.

Quais são as tuas labels de eleição e qual foi a tua ultima compra?

Há muitas.. Blackbox, Big Apple, Swamp 81, Deep Medi Musik, Hyperdub, Boka Recordings, DMZ, Hench. Mas destaco a Tempa não só por tudo o que representa, mas principalmente pela qualidade musical que continua a editar. A última compra é para mim a música do momento, Spinline – Monday Luv (Chronic).

Imaginando alguém que nunca tenha ouvido dubstep, quais as 3 musicas que escolherias para a “converter”?

Isso é complicado de responder, depende muito do alguém em questão! Podes ir por um tipo mais vocal [Fat Freddys Drop – Cays Crays (Digital Mystikz Rmx], mais melódico [Joker – Digidesign] ou mais ritmado [Marco Del Horno/Dj Swerve – Just Rewind (Kutz Dub Rmx)].Mas cada caso é um caso, logo não prometo total eficácia com esta escolha! eheheh..